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Canarios Gloster

Genetica

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Há muito que a genética deixou de ser uma ciência restrita a laboratórios de pesquisa ou filmes de ficção científica. Hoje em dia, as descobertas acerca do famoso, DNA, já são aplicadas em áreas como a medicina, a farmacologia e começa a ser um hábito na reprodução e selecção de animais.

É possível seleccionar determinadas características, o sexo dos embriões, evitar doenças e identificar o sexo de aves adultas em que exista dimorfismo sexual elevado.

 Procedimentos deste tipo só são possíveis em laboratórios especializados e acarretam gastos, sendo por isso muito pouco utilizada por ornitólogos e muito usada na criação de cavalos, espécies em vias de extinção ou produções de animais para consumo humano. Apesar de não ser economicamente suportável que nós ornitólogos recorramos à, quase totalidade deste tipo de procedimentos genéticos, isso não invalida que coloquemos a genética de lado ou a arredemos para segundo plano.

Ainda que empiricamente o homem sempre utilizou conceitos genéticos no apuramento das raças e existem algumas regras que devemos conhecer e seguir para que possamos construir a nossa “linha” de glosters, no caso.

É pois então necessário que se compreendam termos como: cromossomas, cromossomas sexuais, genes, hereditariedade e no fundo que se entenda o que realmente é genotipo e fenotipo. Passarei a explicar os termos por minhas palavras, não pretendendo uma descrição científica e exacta, mas que qualquer pessoa consiga compreender os conceitos e os possa utilizar.

 

 

Meio: são todas as propriedades ambientais, sejam naturais ou induzidas pelo homem, tais como a temperatura, humidade, alimentação, etc Corresponde ao meio em que o ser vivo se insere e do qual sofrem os respectivos efeitos, aos quais terá de responder para se adaptarem. Quando as condições são demasiado adversas a adaptação poderá não ser possível e a espécie em questão poderá ter problemas de saúde, não se conseguir reproduzir ou até mesmo morrer. Deste modo existem espécies muito resistentes ao meio que se adaptam aos mais variados tipos de meio, tais como os periquitos e existem outras, como o colibri, que apenas sobrevivem em condições muito específicas. É crucial que não menosprezemos a importância do meio em que a nossa ave se insere, pois isso poderá fazer com que o potencial genético das nossas aves não se manifeste, ou ao contrário fazer com que determinadas características, sem causa genética se manifestem; por isso é vital que forneçamos alimentação adequada e que controlemos a temperatura, humidade, intensidade luminosa, o número de horas de luz etc   Na natureza o meio é também o responsável pela evolução, pois são as mudanças de meio que nos levam ao desenvolvimento de novas espécies ou variedades de aves e seres vivos, no geral.. Quando o meio ambiente sofre variações bruscas, é praticamente impossível aos seres vivos que se adaptem, por exemplo: imaginemos uma ilha de dimensão reduzida e isolada geograficamente. Supondo que há um naufrágio e sobrevivem meia dúzia de gatos, que por acaso iam a bordo do barco. Eles não irão ter dificuldades em sobreviver, pois a ilha está repleta de pequena aves coloridas que até então não tinham predadores naturais e que não se assustando e tendo plumagem exuberante e não camuflada são descobertas e caçadas com facilidade. Á medida dos anos, o número de gatos vai aumentando e o número da espécie de ave, em questão, vai reduzindo drasticamente, torna-se a presa mais apetecível para os gatos que começam a alimentar-se também dos ovos e das crias nos ninhos e deste modo em dezenas de anos a espécie fica à beira da extinção. Com o passar dos anos as aves que sobreviveram foram “abrindo os olhos” e estão mais desconfiadas, já não é tão fácil para os gatos caçarem-nas, mas continuam a dizima-las facilmente, pois o seu canto e plumagem inconfundíveis denunciam-nas e é praticamente impossível que eles não descubram os seus ninhos na época de acasalamento, a plumagem fica mais viva e os machos não resistem e cantam para atrair a fêmea. A espécie irá mesmo desaparecer, a menos que algo aconteça: se as arvores passassem a ser mais altas as aves poderiam aí nidificar em segurança, mas só existe vegetação rasteira. Se os gatos tivessem um predador isso também ajudaria, ou seja, teria que ocorrer nova mudança de meio que beneficiasse as aves, ou prejudicasse os gatos, caso contrario estariam condenadas. Contudo há um pequeno detalhe, uma espécie de “patinho feio” que se transformará em cisne. Na verdade, nesta espécie super colorida de aves, também ocorrem variações e de vez em quando nasciam aves de plumagem muito pouco brilhante e esverdeada que se confundiam com a vegetação, mas estas aves nunca acasalavam, pois não despertavam qualquer interesse sexual aos parceiros, devido a terem plumagem baça. Mas a situação iria mudar, e a verdade é que, com o passar dos anos, a população de aves ficou tão pequena que os “patinhos feios”( as tais aves verdes e sem brilho que nasciam ocasionalmente)  transformaram-se em cisnes e passaram a ter pares para acasalar, pois já não havia machos esbeltos e brilhantes, os gatos tinham comido  praticamente todos e sendo assim as fêmeas tinham que acasalar forçosamente com os “patinhos feios”.  Com os gatos no terreno, a tendência era que as aves brilhantes morressem e as baças e verdes sobrevivessem e se reproduzissem. Com o passar dos séculos já não existiam mais aves coloridas, somente os “patinhos feios”, a espécie tinham sido salva graças a eles e agora eram os cisnes da região eh eh. 

Obviamente isto é uma história inventada por mim e em que alterei o meio ambiente da forma que me apeteceu, na natureza as alterações ocorrem aleatoriamente, mas em cativeiro o homem consegue fazer algo semelhante ao que descrevi na história, isto é consegue controlar as propriedades do meio e seleccionar o tipo de aves que lhe interessa, bastando para isso que estude bem as “variações” que vão aparecendo e lhes proporcione características ambientais que permitam a sua adaptação e reprodução. Na verdade a totalidade de variações de raças e cores de canários que hoje conhecemos surgiram desta forma. Aleatoriamente surgiram variações e o ser humano garantiu a sua adaptação e selecção.

O texto já vai longo, mas é importante referir como aparecem essas variações, afinal de contas o primeiro canário branco terá caído dos céus, vindo do nada?

Todas as variações que temos ocorreram de dois modos: apareceram por mutação conceito que explicarei mais adiante) ou por cruzamento entre duas espécies ou entre variações de uma mesma espécie. No caso dos canários, a maioria das variações ocorreram por mutação e respectiva fixação e selecção. Sendo também de destacar que todos os canários com factor vermelho apareceram devido ao cruzamento do cardinalito com um canário, passando os seus descendentes a poderem acumular nas penas os corantes responsáveis pela cor vermelha; por respectiva selecção e cruzamentos entre variações dentro da espécie (serinus canaria) , apareceram as variedades de canários vermelhos que vemos hoje.

De referir um outro exemplo curioso: os primeiros canários isabéis resultaram do cruzamento entre duas raças (variações) de canários: o castanho e o ágata, devido ao crossing-over. Ocorre uma espécie de partilha e mistura da informação genética presente entre dois cromossomas. O crossing-over ocorre em todas as espécies, e no fundo o seu papel é permitir que os genes homólogos se misturem entre si, fazendo assim com que a variabilidade genética aumente; é no fundo uma espécie de “sexo”, a nível microscópico, entre os genes de dois progenitores. Esta mistura e troca de informação é importantíssima, como já referi, para que haja uma maior variabilidade de genes e consequentemente uma maior variabilidade dos indivíduos de uma mesma espécie. No caso dos isabeis, o crossing-ove , ocorre entre duas variações( raças) de canários e sendo assim a mistura de informação terá maior efeito, no património genético dos descendentes, olhando para um Isabel vemoscalaramente isso: uma enorme diferença de aspecto (que se deve aos genes obviamente) quando comparado com os seus “progenitores” ágata e castanho.

 

 

 

 

Fenótipo: são todas as características visíveis, tais como cor dos olhos, tamanho, sexo etc . Estas características são a manifestação visível de características genéticas, contudo há características genéticas que permanecem ocultas não havendo qualquer visualização fenotipica das mesmas.

Importa salientar que as caract. fenotipicas só serão hereditárias se forem devido a causas genéticas e não fruto do ambiente. Por exemplo um pássaro poderá estar gordo porque lhe fornecemos uma alimentação exagerada e não porque tem predisposição genética para engordar, neste caso este canário não transmitirá a tendência para engordar a futuros descendentes. Estas características só são transmissiveis no caso de serem a manifestação de caract. genéticas, o que não seria o caso, pois, neste caso a tendência para engordar dever-se-ia exclusivamente ao tipo de alimentação fornecida e como tal esta característica fenotipica teria causa ambiental (meio) e não genética.

 

 

Genótipo: São todas as características, presentes num indivíduo, as quais são transmitidas aos descendentes (hereditárias) e que portanto nunca podemos ignorar. Há casos em que as características genéticas não estão visíveis fenotipicamente , pois o meio pode não o permitir, como por exemplo o caso de um canário vermelho ao qual não forneçamos  corantes, obviamente que este canário não ficara vermelho pois não lhe fornecemos a alimentação adequada, contudo ele transmitira essa característica( vermelho) aos seus descendentes e se eles forem alimentados com corante essa mesma caracteristica se manifestará.

 

Hereditariedade: são todas aquelas características, de um indivíduo, que são herdadas dos seus progenitores, sendo que estas podem estar visíveis ou não, pois condições ambientais, má nutrição ou situações de genes recessivos, podem não permitir que realmente essas características estejam visíveis…mas elas estão lá e serão transmitidas à geração seguinte e nunca podemos esquecer isso, pois a curto ou longo prazo podem manifestar-se e no caso de serem características que previlegiemos será óptimo, mas infelizmente, também podem ser defeitos ou doenças.

 

 

Genes: São os “fragmentos” que transportam a informação genética, a qual é responsável pela manifestação de todas as características fenotipicas, tais como cor das penas, tamanho da ave, cumprimento das asas, cor do bico etc

Por cada uma destas características existe um conjunto de genes responsável e a presença, simultânea ou não deles, ditarão essas mesmas características, ou seja se um canário será amarelo, branco, grande, pequeno etc

 

Cromossomas: todos os indivíduos herdam um conjunto de genes do pai e da mãe; estes genes estão dispostos em estruturas que se designam por cromossomas. O número de cromossomas, o tamanho e a forma variam de espécie para espécie, mas na sua maioria estão sempre distribuídos aos pares, ou seja  “emparelham-se” dois a dois.

 

Cromossoma sexual: em todas as espécies existe um par de cromossomas que contém os genes que determinam o sexo, sendo por isso designados de cromossomas sexuais. Nos mamíferos o par de cromossomas sexuais de um macho têm a designação de X e Y  e nas fêmeas de X e X , ou seja os machos possuem somente um cromossoma com informação genética (X), já que o cromossoma Y apenas é responsável pelo sexo, é um cromossoma muito pequeno em tamanho e não possui qualquer informação para além  do sexo. Nas aves passa-se o inverso e são as fêmeas que possuem somente um cromossoma sexual com informação, sendo o outro cromossoma responsável somente pelo sexo, como já referi.

 

 

 

Gene recessivo: são todos os genes que possuem informação que só se manifestará senão estiverem presentes outros genes (genes dominantes) que impeçam a sua manifestação e sendo assim permanecem ocultos, mas poderão ser transmitidos à geração seguinte.

 

Gene dominante: são aqueles cuja informação é sempre visível caso eles estejam presentes. Como é o caso de grande parte dos canários brancos, se repararmos a maioria têm vestígios ligeiros de amarelo em determinadas zonas do corpo, ora isto significa concretamente que o gene responsável pelo aparecimento da cor branca é dominante relativamente ao gene responsável pela cor amarela, sendo este recessivo em relação ao branco. Há também casos de dominância e recessiividade que não conseguimos identificar a olho nu e como tal teremos que saber quem são os progenitores e conhecer a sua genética.

 Homozigotia: são quando os genes responsáveis por um carácter são iguais, ou seja é quando o individuo herda o mesmo gene da mãe e do pai. No caso dos genes responsáveis por uma dada características serem diferentes, designamos de heterozigotia

 

Factor letal: São caracteres que quando em homozigotia conduzem à morte do embrião. Os dois maiores exemplos são o carácter  intenso e o branco-dominante. Exemplo: se  cruzarmos dois brancos dominantes, todos os descendentes que sejam homozigoticos, ou seja que tenham herdado o gene responsável pelo branco dominante, quer da mãe, quer do pai, terão morte embrionária.

 

Mutações: São acidentes genéticos que ocorrem de forma inesperada e aleatória, embora sejam conhecidas algumas causas que podem aumentar a frequência com que este fenómeno ocorre, os resultados não são controláveis e previsíveis. Esta alteração genética pode ser uma eliminação, alteração ou duplicação de ”informação”, a trissomia de par e o crossing-over são também exemplos daquilo que se considera uma mutação. O que importa reter é que uma mutação é uma alteração de património genético, seja em maior ou menor grau e independentemente do fenómeno que a desencadeie.

 

Portador: designam-se de portadores aqueles animais que portam genes de determinadas características que não são visíveis, isto acontece quando se tratam de genes recessivos que estão a ser dominados por outros e que por isso não vemos. Um exemplo muito comum é o caso da existência de genes recessivos ligados ao cromossoma sexual. Estas características poderão estar encobertas nos machos, sendo que nas fêmeas estarão sempre visíveis, isto porque a fêmea so tem um cromossoma sexual com informação e sendo assim se ela possui um gene recessivo no cromossoma sexual, a característica pela qual esse gene é responsável manifestar-se-á; Só poderemos dizer que uma fêmea porta determinada característica no caso dessa caract. Recessiva não estar ligada ao cromossoma sexual, pois ao contrário as fêmeas terão que ser sempre normais ou pura, no que respeita a essa característica, já nos machos não será assim , pelo que passo a exemplificar o caso canela (cinnamon) que é uma mutação ligada ao sexo: existem machos portadores de canela, quando o macho apenas possui  a canela num dos dois cromossomas sexuais , e sendo assim a mutação não se  manifestará, por questões de dominância sofrida pelos genes presentes no outro cromossoma não canela. O macho será puro e manifestará a mutação canela, quando ambos os cromossomas sexuais forem canela, no caso de nenhum dos dois ser canela, o macho será normal, no que respeita à mutação canela.

 

 

Factores dominante e recessivo:

 

Dominante     Recessivo
Oxidação       Diluição
Não Pastel     Pastel
Não Opal       Opal
Não Ino         Ino
Não Satinet    Satinet
Não Marfim   Marfim
Não Branco   Branco
Intenso          Recessivo
Eumelanina Negra  Eumelanina Castanha
Negros-Castanhos   Castanhos
Negros-Castanhos   Ágatas
Negros-Castanhos   Isabeis
Ágatas             Isabeis
Castanhos        Isabeis


 

Factores em que não existe dominância:

Presença de refracção  Ausência de refracção
Presença de Melanina   Ausência de Melanina
Factor vermelho        Factor Amarelo


 

Factores não ligados ao sexo:
O factor que determina a presença de melanina
O factor Ino
O factor de refracção
O branco dominante
O branco recessivo
O factor Opal
O factor intenso
O factor amaleo e o vermelho

Factores ligados ao sexo:
O factor que determina a presença de eumelanina negra
O factor determinante da diluição (Ágata-Isabel)
O factor determinante do efeito pastel
O factor marfim
O efeito Satinet

 

Sexagem de aves por DNA: é uma técnica sensível, rápida e de baixo custo, muito útil para espécies que apresentem dimorfismo sexual. Bastará que se envia uma pena que contenha uma gota de sangue fresco, para um laboratório que faça a respectiva análise

 

 

 

 

Bruno Cardoso